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Atualizado em Categoria: Finanças15 min de leitura

O que é Tabela Price: parcelas fixas no crédito

Por termius ·

O que é Tabela Price e como as parcelas fixas alteram a composição de juros e amortização no financiamento imobiliário ao longo do prazo.

Neste artigo

Tabela Price é um sistema de amortização em que a prestação permanece igual em valor nominal ao longo do prazo, quando a taxa e o índice previstos no contrato não alteram essa conta. Em cada mês muda só a composição interna, com mais juros no começo e mais abatimento do principal depois. Também é chamado de sistema francês de amortização.

Você está na mesa do banco ou no aplicativo e vê duas simulações para o mesmo valor. Uma mostra parcelas que começam altas e caem. A outra mostra um valor mensal estável. A segunda costuma ser a Tabela Price, e a tentação de olhar só a primeira parcela é grande, porque o orçamento do mês seguinte parece mais leve.

Porém essa estabilidade da prestação não diz, sozinha, quanto você paga de juros no total nem com que velocidade o saldo some. Além disso, no financiamento imobiliário ainda entram correção, seguros e tarifas que mudam o que chega na fatura. Por isso vale entender o mecanismo antes de comparar proposta com proposta.

Como a Tabela Price monta a parcela mês a mês?#

A prestação da Tabela Price é calculada para ser constante no fluxo de juros e amortização, e a cada vencimento o banco separa quanto cobre juros do saldo e quanto reduz o principal. No início, a fatia de juros é maior porque o saldo ainda está alto. Em seguida, conforme o principal cai, a fatia de amortização cresce e a de juros encolhe, sem mudar o valor total da parcela nessa lógica pura.

Ou seja, a “parcela fixa” não significa que o banco deixou de cobrar juros. Significa que a soma dos dois pedaços foi calibrada para repetir o mesmo total. Essa lógica de composição interna é o núcleo do sistema francês de amortização e aparece em guias de crédito e em materiais didáticos de instituições financeiras.

O que muda dentro da parcela ao longo do prazo#

Pegue uma simulação didática com premissas explícitas, só para ver a curva, sem pretender espelhar a taxa do seu banco hoje. Valor financiado de R$ 100.000, prazo de 60 meses e juros de 1% ao mês, sem tarifas, sem seguro e sem correção. Em reportagem da Exame com essas mesmas premissas, a parcela Price fica em R$ 2.252,57 em todos os meses, enquanto no SAC a primeira parcela sai em R$ 2.666,67 e a última cai para cerca de R$ 1.675 (comparativo SAC e Price na Exame).

PremissaValor
PrincipalR$ 100.000
Prazo60 meses
Taxa1% ao mês
Correção, tarifas e segurosnão incluídos nesta simulação
Parcela Price (Exame)R$ 2.252,57

No começo dessa curva Price, a maior parte dos R$ 2.252,57 ainda remunera o saldo. Só depois a amortização na Tabela Price passa a dominar a parcela. Por outro lado, se você quitar ou amortizar extra nos primeiros anos, o efeito no prazo ou no valor mensal depende da regra do contrato e da forma como o banco aplica o abatimento.

E se o contrato tiver taxa prefixada sem correção do saldo, a prestação tende a se comportar como no desenho puro. E se houver indexador, a história muda, como na seção sobre imóvel. O risco escondido aqui é achar que “parcela igual” equivale a “menos juros”. Em geral, para a mesma taxa e o mesmo prazo, a Price adia a queda do saldo e concentra mais juros no início.

Na prática, o que eu vejo com mais frequência é gente assinar olhando só se a parcela cabe no mês 1, sem pedir a planilha que mostra saldo, juros e amortização mês a mês. Peça esse demonstrativo e confira se o saldo cai no ritmo que você espera.

Qual a diferença entre tabela Price ou SAC no bolso?#

A diferença prática entre tabela Price ou SAC está no formato da prestação e na velocidade com que o principal some. No SAC a amortização do principal é constante, os juros caem com o saldo e a prestação começa mais alta e depois diminui. Na Price a prestação do fluxo de juros e amortização fica nivelada, o saldo cai mais devagar no começo e o total de juros tende a ficar maior para a mesma taxa e o mesmo prazo.

O InfoMoney descreve o sistema PRICE exatamente assim, com parcelas iguais, juros maiores no início e amortização crescente depois, e alerta que o custo de juros acaba maior justamente porque o principal demora mais a cair (guia de amortização do InfoMoney). Assim, quem prioriza previsibilidade da parcela costuma olhar a Price, enquanto quem aguenta prestações iniciais maiores busca no SAC a queda mais rápida do saldo, sempre na comparação com taxa e prazo iguais.

Use o mesmo exemplo da seção anterior. Com R$ 100.000 em 60 meses a 1% ao mês, a Price pede cerca de R$ 2.252,57 todo mês. O SAC pede cerca de R$ 2.666,67 no primeiro mês e cerca de R$ 1.675 no último. Assim, quem olha só a renda exigida no mês 1 pode achar a Price “mais barata”, embora o caminho do saldo seja outro.

Quando a comparação Price versus SAC engana#

A comparação só é justa se valor, prazo, taxa, indexador, seguros e tarifas forem os mesmos. Além disso, no crédito imobiliário a instituição pode oferecer cotas de financiamento diferentes por sistema, o que muda a entrada exigida e não só a curva da parcela. Enquanto isso, quem pretende amortizar com bônus, FGTS ou renda extra precisa olhar o saldo nos primeiros anos, porque é ali que a Price ainda carrega mais juros.

E se a renda for apertada hoje e sobrar folga só daqui a alguns anos, a Price pode facilitar a aprovação e o fluxo inicial, porém você carrega saldo alto por mais tempo. E se a renda já comporta a parcela SAC de entrada, o custo financeiro total tende a cair. O custo de escolher sem comparar é pagar mais juros sem perceber, ou assumir uma parcela inicial que estreita o orçamento e aumenta o risco de atraso.

Se fosse comigo, eu pediria as duas simulações no mesmo dia, com o mesmo CET e o mesmo prazo, e só então decidiria. Sem esse pareamento, a escolha vira chute com cara de planilha.

Por que a prestação da Tabela Price ainda pode variar no imóvel?#

Porque no financiamento imobiliário brasileiro a prestação “fixa” da Price costuma ser a parte de juros e amortização do sistema, não necessariamente o valor final que você paga depois de correção, seguros e encargos do contrato. Em contratos atrelados à Taxa Referencial, o saldo e as prestações podem ser atualizados pela mesma lógica prevista para a caderneta de poupança, e isso altera o número que aparece no boleto.

O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central de outubro de 2017 descreveu a chamada amortização negativa sob Tabela Price. No período de aperto monetário entre 2013 e 2015, a correção dos contratos cresceu de forma relevante e, conjugada à Price, gerou aumentos nominais de saldo em parte das carteiras, com maior exposição a atraso (trecho do REF de outubro de 2017 sobre Price). O mesmo relatório lembra que a disseminação da Price veio, em boa medida, da prestação inicial menor frente ao SAC.

O que a lei exige na oferta do sistema#

No âmbito do Sistema Financeiro da Habitação, a Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964, no art. 15-B, § 3º, obriga o oferecimento do SAC e de, no mínimo, outro sistema que atenda aos requisitos legais, entre eles o SACRE e o Sistema Francês de Amortização (Tabela Price). Assim, a escolha não deveria chegar a você como um pacote fechado sem alternativa. Peça as duas propostas por escrito.

E se o imóvel tiver alienação fiduciária, o risco de atraso não é só “juros de mora”. É também o caminho de consolidação da propriedade em favor do credor, conforme o contrato e a legislação aplicável. E se a correção for baixa por um longo período, o efeito de saldo nominal alto fica menor, porém o desenho da Price continua adiando a amortização forte. O benefício da parcela inicial menor vem, portanto, com o custo de carregar saldo e juros por mais tempo e com a incerteza do indexador.

O erro que mais custa caro aqui é tratar a Price do imóvel como se fosse um carnê de loja sem correção. Leia a cláusula do indexador, a composição da prestação e o comportamento projetado do saldo nos primeiros anos.

Como comparar o custo real antes de assinar o contrato?#

Compare pelo CET (Custo Efetivo Total), pelo fluxo total esperado e pela capacidade de pagar a parcela estressada, não só pela taxa de juros anunciada. O CET reúne, na data do cálculo, juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas vinculadas à operação, e a instituição deve informá-lo antes da contratação, com demonstrativo.

A Resolução CMN nº 4.881, de 23 de dezembro de 2020, deixa isso explícito. O CET é taxa percentual anual com duas casas decimais. Referenciais que mudam no tempo, como taxas flutuantes ou índices de preços, ficam de fora do número do CET e precisam aparecer no demonstrativo. Por isso uma Price com juros “bonitos” e seguros caros pode perder para outra oferta com juros um pouco maiores e encargos menores.

Passo a passo objetivo antes da assinatura#

  1. Peça simulação Price e SAC com o mesmo valor, prazo e data-base.
  2. Anote CET, valor liberado líquido, primeira parcela, última parcela projetada e soma das prestações no demonstrativo.
  3. Separe o que é juros e amortização do que é seguro, tarifa e IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), quando incidente.
  4. Teste o orçamento com a parcela mais alta do caminho escolhido e com uma folga para imprevisto.
  5. Se já existir contrato em outro banco, avalie portabilidade de crédito com nova CET, sem assumir que a troca sempre reduz o custo.

E se a oferta for de empréstimo pessoal em Price, o mesmo critério vale, só que o prazo costuma ser menor e o atraso dói mais rápido no orçamento mensal. E se a parcela já compromete a maior parte da renda livre, o problema deixa de ser “Price ou SAC” e vira risco de superendividamento, tema tratado pela Lei nº 14.181, de 1º de julho de 2021. O benefício de acessar o crédito com parcela inicial menor só se sustenta se sobrar margem real depois do pagamento.

Muita gente acha que parcela menor no mês 1 prova crédito mais barato, e quase sempre está enganada, porque o barato aparente pode esconder CET alto e saldo que demora a cair. Trate o CET e a planilha como peça central da decisão.

Quando a Tabela Price costuma encaixar melhor no orçamento?#

A Tabela Price costuma encaixar melhor quando a prioridade é estabilizar as parcelas fixas do financiamento no fluxo de juros e amortização e a renda atual não comporta a entrada do SAC, desde que o CET e o saldo projetado ainda sejam aceitáveis. Ela também aparece em linhas de crédito não imobiliárias em que o banco apresenta parcelas niveladas, e o raciocínio de composição interna é o mesmo.

O REF de 2017 do BCB já ligava a popularidade da Price à prestação inicial inferior à do SAC para o mesmo valor financiado. Isso melhora a métrica de comprometimento de renda na análise de crédito. No entanto, a mesma característica aumenta a chance de o saldo nominal reagir mal quando a correção sobe e a amortização ainda é pequena. Assim, “encaixar no orçamento” e “ser a opção de menor custo” não são a mesma coisa.

Sinais de que a Price pode não ser o melhor caminho#

Se você tem sobra mensal hoje, pretende amortizar com frequência e quer ver o saldo cair rápido, o SAC costuma responder melhor a esse objetivo. Se a aprovação na Price só fecha com prazo muito longo, calcule o total pago e o saldo no meio do contrato. Se a correção do imóvel for relevante no seu cenário, peça projeção do saldo nominal nos primeiros anos e não só a parcela do mês 1.

E se a renda for variável, a parcela estável ajuda o planejamento, porém qualquer estabilidade some se o contrato corrigir saldo e prestação. E se a alternativa for alongar demais o prazo só para caber na Price, você troca alívio imediato por mais anos de juros. O custo dessa escolha aparece tarde, quando a vida financeira já está amarrada ao contrato.

Quem já acompanhou planilha de saldo mês a mês aprende cedo que a pergunta útil não é “qual sistema é o melhor do mercado”, e sim “qual curva de parcela e de saldo eu consigo sustentar sem apertar o mínimo do mês”. Essa é a régua que eu usaria antes de bater o martelo.

Termos relacionados#

  • financiamento imobiliário É o contrato em que a escolha entre Price e SAC mais muda entrada, prazo e comportamento do saldo.
  • CET (Custo Efetivo Total) É a taxa que permite comparar propostas Price e SAC além da taxa de juros isolada.
  • juros compostos Ajudam a entender por que o saldo alto no começo da Price eleva a conta de juros no tempo.
  • portabilidade de crédito Serve para reavaliar um contrato Price já em andamento quando outra instituição oferece condições melhores.
  • superendividamento É o risco de fundo quando a parcela “que cabe” no papel elimina a folga real do orçamento.
  • alienação fiduciária É a garantia típica do imóvel financiado e eleva o custo de atrasar prestação.

Antes de sair comparando ofertas soltas, amarre esses conceitos na mesma planilha. Sistema de amortização, CET e garantia caminham juntos na decisão.

Perguntas frequentes sobre Tabela Price#

As dúvidas abaixo reúnem o que costuma sobrar depois da simulação, da análise de crédito e da leitura do contrato. Cada resposta cabe sozinha, porém faz mais sentido depois que você já entendeu parcela, saldo e CET. Use-as como checklist final antes de assinar ou de pedir uma segunda proposta.

O que é Tabela Price em uma frase prática?#

Tabela Price é o sistema em que a prestação de juros e amortização fica nivelada no prazo, com mais juros no começo e mais amortização depois. Também é conhecida como sistema francês de amortização. A previsibilidade da parcela ajuda o fluxo mensal, porém não elimina correção, seguros nem o CET.

Tabela Price tem sempre menos juros que o SAC?#

Não. Para a mesma taxa e o mesmo prazo, o total de juros na Price tende a ser maior porque o principal cai mais devagar no início. O que costuma ser menor é a prestação inicial. Por isso a comparação certa usa CET, soma das parcelas e ritmo de queda do saldo.

Posso mudar de Price para SAC depois de assinar?#

Depende do contrato e da política da instituição. Em muitos casos a troca de sistema não é automática. Às vezes a saída prática é renegociar, amortizar ou avaliar portabilidade. Peça a regra por escrito antes de assumir que a mudança será simples.

A parcela da Price no imóvel fica congelada para sempre?#

Nem sempre. A estabilidade típica da Price diz respeito ao desenho de juros e amortização. Se o contrato prevê correção do saldo ou da prestação, seguros e outros encargos, o valor cobrado pode variar. Confira indexador e composição da parcela na minuta.

Amortizar no começo do contrato Price vale a pena?#

Em muitos casos, antecipar nos primeiros anos ataca o período em que o saldo ainda está alto e os juros pesam mais. Ainda assim, o ganho depende de como o banco aplica o valor extra, se reduz prazo ou parcela, e de eventuais custos da operação. Peça as duas simulações de abatimento antes de escolher.

Nas dúvidas que chegam depois da assinatura, o padrão é a pessoa descobrir tarde que olhou só a parcela e ignorou saldo e encargos. Resolva essas perguntas com a planilha na mão, não com a memória da conversa do gerente.

Conclusão#

Para a maioria das pessoas, a Tabela Price só deveria ser escolhida depois de uma comparação lado a lado com o SAC, com o mesmo valor, o mesmo prazo e o mesmo CET. A parcela inicial menor é vantagem real de fluxo, e o preço dessa vantagem é carregar saldo e juros por mais tempo.

A resposta muda quando a renda já comporta a entrada do SAC, quando há plano claro de amortização antecipada ou quando o contrato imobiliário traz correção que pode empurrar o saldo nominal no começo. Nesses casos, a previsibilidade da Price perde força frente ao custo financeiro e ao risco de saldo.

O primeiro passo concreto é pedir as duas simulações e o demonstrativo de CET na mesma data-base, marcar a parcela estressada no orçamento e só então decidir. Sem esse pareamento, a escolha entre sistemas vira aposta com planilha bonita.

Este conteúdo sobre Tabela Price tem caráter informativo e educacional. Não constitui recomendação de crédito, consultoria financeira, orientação jurídica nem aconselhamento tributário individualizado. A decisão de contratar, renegociar ou portar um financiamento depende da renda, do patrimônio, do contrato e do momento de cada pessoa. Antes de assumir ou alterar uma dívida, procure profissional habilitado, como planejador financeiro, contador ou advogado, conforme o caso.

Perguntas frequentes

O que é Tabela Price em uma frase prática?
Tabela Price é o sistema em que a prestação de juros e amortização fica nivelada no prazo, com mais juros no começo e mais amortização depois. Também é conhecida como sistema francês de amortização. A previsibilidade da parcela ajuda o fluxo mensal, porém não elimina correção, seguros nem o CET.
Tabela Price tem sempre menos juros que o SAC?
Não. Para a mesma taxa e o mesmo prazo, o total de juros na Price tende a ser maior porque o principal cai mais devagar no início. O que costuma ser menor é a prestação inicial. Por isso a comparação certa usa CET, soma das parcelas e ritmo de queda do saldo.
Posso mudar de Price para SAC depois de assinar?
Depende do contrato e da política da instituição. Em muitos casos a troca de sistema não é automática. Às vezes a saída prática é renegociar, amortizar ou avaliar portabilidade. Peça a regra por escrito antes de assumir que a mudança será simples.
A parcela da Price no imóvel fica congelada para sempre?
Nem sempre. A estabilidade típica da Price diz respeito ao desenho de juros e amortização. Se o contrato prevê correção do saldo ou da prestação, seguros e outros encargos, o valor cobrado pode variar. Confira indexador e composição da parcela na minuta.
Amortizar no começo do contrato Price vale a pena?
Em muitos casos, antecipar nos primeiros anos ataca o período em que o saldo ainda está alto e os juros pesam mais. Ainda assim, o ganho depende de como o banco aplica o valor extra, se reduz prazo ou parcela, e de eventuais custos da operação. Peça as duas simulações de abatimento antes de escolher. Nas dúvidas que chegam depois da assinatura, o padrão é a pessoa descobrir tarde que olhou só a parcela e ignorou saldo e encargos. Resolva essas perguntas com a planilha na mão, não com a memória da conversa do gerente.

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